Artigo escrito por Cesar Ribeiro, editor da revista Mundo Elétrico
Apesar disso, muitos empreendimentos ainda tratam a conta de
energia como despesa inevitável, e não como variável estratégica. Esse é um
erro de gestão.
Eficiência energética, quando estruturada tecnicamente, é
uma das ferramentas mais rápidas e consistentes para aumentar a lucratividade
de hotéis de forma sustentável, financeira e ambientalmente.
O custo energético impacta diretamente o EBITDA de um hotel.
Em média, a energia representa entre 8% e 15% dos custos operacionais do
empreendimento, podendo ocupar as primeiras posições entre os maiores gastos
fixos.
Desta forma, qualquer aumento tarifário impacta diretamente
o resultado operacional. Por outro lado, qualquer redução de consumo gera ganho
imediato de margem, sem depender de aumento de diária ou taxa de ocupação. Diferentemente
de variáveis de mercado, a energia é tecnicamente controlável. E o custo
energético evitado é uma excelente forma de aumentar a lucratividade de um
negócio, é uma injeção direta de caixa sem incidência de impostos.
A eficiência energética não é uma economia pontual, é uma
estratégia de gestão com resultados consistentes e perenes quando se tem uma
aplicação adequada. Muitas iniciativas em hotéis se limitam a ações isoladas:
troca de lâmpadas, ajustes pontuais de equipamentos ou campanhas internas de
conscientização.
Embora válidas, essas ações raramente produzem impacto
estrutural. Mas eficiência energética, vai além de práticas isoladas. Uma
estratégia de eficiência energética real depende de:
·
Diagnóstico energético detalhado
·
Medição setorizada de consumo
·
Identificação de desperdícios ocultos
·
Definição de indicadores de desempenho
·
Plano de investimento com análise de payback
Hotéis que adotam esta estratégia, adquirem controle técnico,
conseguem monitorar indicadores como kWh por apartamento ocupado, consumo por
hóspede ou por metro quadrado. Isso permite decisões baseadas em dados e não em
suposições. Diminuindo riscos de investimentos ao proporcionar uma melhor
previsibilidade de resultados financeiros. Empresas que tentam encurtar o
caminho sem seguir uma estratégia de implementação com base em dados, tendem a
fazer investimentos que não dão retorno financeiro ou entregam um resultado
abaixo do que poderia ser obtido.
Projetos estruturados de eficiência energética podem gerar
reduções de 15% a 30% no consumo total, chagando a percentuais maiores, dependendo
do estágio inicial do empreendimento.
Em termos práticos: Um hotel que gasta R$ 120 mil por mês
com energia e reduz 20% do consumo economiza R$ 24 mil mensais — ou R$ 288 mil
por ano. Esse valor impacta diretamente o EBITDA, não depende de sazonalidade,
não depende de mercado, não depende de aumento de diária. É resultado de gestão
técnica.
Além disso, investimentos bem estruturados costumam
apresentar payback atrativo, especialmente quando associados a linhas de
financiamento específicas ou modelos de performance. Existem iniciativas como o
Programa de Retrofit Tecnológico de Hotéis, apresentado pelo Portal do
Hoteleiro, mantido pela ABIH-SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis),
que dão suporte na elaboração de projetos para melhorar o desempenho energético,
conforto, segurança e conectividade em hotéis.
Além da redução de consumo, empreendimentos mais
estruturados podem avaliar alternativas como a migração para o mercado livre de
energia, geração distribuída, autoprodução e a integração com sistemas de
armazenamento. Nesse cenário, a energia deixa de ser apenas despesa operacional
e passa a ser componente estratégico da gestão empresarial.
Outro ponto de grande relevância está é o fato de a
lucratividade sustentável ir além do resultado financeiro imediato. O setor
hoteleiro enfrenta crescente pressão por práticas ambientais responsáveis.
Operadoras internacionais, clientes corporativos e plataformas globais já
incorporam critérios ESG na escolha de parceiros. Ao aplicar boas práticas para
reduzir consumo energético significa menor pegada de carbono, maior alinhamento
com metas ambientais, melhoria na percepção de marca e, também, diferenciação
competitiva. Hotéis energeticamente eficientes, além de reduzirem custos,
fortalecem sua reputação.
Em suma, a eficiência energética é uma ferramenta concreta
de aumento de lucratividade, redução de risco e fortalecimento competitivo. Em
um setor onde conforto, experiência e margem precisam coexistir, energia bem
gerenciada se transforma em vantagem estrutural. Hotéis que tratam a eficiência
energética como estratégia colhem resultados financeiros consistentes e
constroem um posicionamento sustentável no mercado. Os que ignoram essa
variável continuam pagando mais e lucrando menos.
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